Tipos de Amor – descubra já qual é o seu!

Todos temos a sensação que sabemos o que é e como devemos entender o amor, mas ao mesmo tempo temos consciência de que não o conhecemos totalmente. Na verdade existem vários tipos de amor, e cada um tem um significado diferente e nos apresenta uma forma diferente de amar.

Também vemos à nossa volta como as pessoas são capazes de amar de formas tão diferentes. Existirá então uma conceção geral de amor, ou existirão vários tipos de amor? Para respondermos a essa pergunta temos de recuar no tempo até aos nossos antepassados gregos.

Através da leitura de várias obras da literatura clássica, sobretudo de Platão e Aristóteles e de um livro chamado “Colours of Love“, de 1973, é possível identificarem-se 8 tipos de amor diferentes.

tipos de amor gregos

Tipos de amor – do passado aos tempos modernos

Identificados os oito tipos de amor segundo os gregos, partimos para a explicação, para que possa facilmente identificar qual o tipo de amor que você vive ou que está presente no seu relacionamento.

1Eros, o amor físico

O tipo de amor eros, tem este nome devido ao grande deus grego do amor e da fertilidade, de seu nome Eros. Este deus sempre representou uma ideia de paixão, de desejo, um amor físico e carnal. Este amor é visto como algo sem controlo, algo forte e carnal. Já o deus Eros era conhecido por ser perigoso, por ter como impulso primário a procriação.

Este amor está cheio de paixão e de tensão sexual. É um amor bastante físico onde se destaca o corpo / físico, acima do coração.

Pessoas deste tipo de amor tendem a: 

  • Viver um amor muito intenso no ínicio do relacionamento mas que depressa vai diminuindo de intensidade.
  • Centra-se nos aspetos mais “invejosos” do amor.
  • A sua atenção salta facilmente para outras coisas.
  • Existe um interesse por tudo aquilo que é novo, o que leva à possibilidade de traições.

2Philia, o amor da mente

O tipo de amor Philia pode ser conhecido nos tempos modernos como a amizade. Os gregos valorizavam muito mais este tipo de amor quando comparado com o eros, porque era visto como uma forma de amar equilibrada entre as pessoas.

Platão considerava que, ao contrário do que era defendido no eros, a atração física não era uma parte necessária ou tão necessária, num relacionamento. Colocando assim a atração física de parte, ficamos com um amor forte, sem pretenções, capaz de sobreviver em tempos difíceis.

Aristóteles chega a dizer que este amor é livre pelo facto de se ver livre da atração física e entrar num campo bem mais alto que esse. Ao se ver livre da atração física, entram outros elementos importantes como a lealdade, a camaradagem e a noção de sacrifício pelos entes queridos.

Pessoas deste tipo de amor tendem a: 

  • Viver uma relação equilibrada, forte e sincera.
  • Estarem presentes nos bons e maus momentos.
  • Viverem tudo de bom que pode trazer um relacionamento sem a atração física.

3Ludus, um amor desafiante

Se tivesse de definir o tipo de amor ludus, diria que é uma evolução do eros. Digo isto porque embora tenha um pouco do eros na sua essência, consegue ser muito mais do que isso e acrescentar-lhe novos elementos. Os gregos viam este tipo de amor como algo desafiante, um amor aventureiro, típico dos jovens adolescentes.

É um sentimento de euforia que normalmente está relacionado com o início de cada relacionamento. É a paixão constante, o querer estar com a outra pessoa e partilhar o máximo possível de coisas com a mesma. É um sentimento de euforia constante.

O mais importante neste tipo de amor é a forma como o casal consegue brincar um com o outro e se desafiar, sendo visto pelos gregos como um dos segredos para manter um relacionamento durante mais tempo.

Pessoas deste tipo de amor tendem a: 

  • Viverem bem consigo próprias e com os outros.
  • Pessoas que partilham pouco sobre si próprias.
  • Pessoas que centram o seu relacionamento na aventura e novos desafios enquanto casal.
  • Pelo facto de verem o relacionamento como algo divertido, casual e desafiador, são pessoas que podem evitar compromissos, deixando com medo quem namorar com este tipo de pessoas.

4Pragma, o amor eterno

O tipo de amor pragma foi aquele que, diria eu, ultrapassou as fases anteriores, amadureceu e durou com o tempo, ultrapassando todas as adversidades. É um amor que ultrapassou a componente física, se ligou algo maior, espíritual ou não e que se caracteriza por uma harmonia que poucas pessoas conseguem atingir ou sequer compreender.

Existe também quem defenda que este tipo de amor se refere à procura de uma pessoa específica para nos satisfazer, alguém que se encaixa perfeitamente nas nossas escolhas. Sendo assim pessoas que na atualidade utilizam aplicações para encontrar o seu amor, poderiam entrar neste tipo de amor, por procurarem algo específico.

Também se diz que é uma luta constante de ambas as partes do relacionamento, um fechar de olhos a certas coisas para que no final o relacionamento funcione da melhor forma possível.

Pessoas deste tipo de amor tendem a: 

  • Ser completamente racionais.
  • Usam o seu conhecimento empírico para as conquistas e também no amor.
  • Pesam todas as opções antes de saírem com alguém.
  • São calculistas e raramente se deixam levar pelo coração.

5Storge, o amor familiar

O tipo de amor storge, geralmente está relacionado com o amor familiar, por ser visto como um amor sem atração física, assim como o philia, baseado na amizade, na partilha de valores, objetivos e compatibilidade. É uma forma natural de amor, sentido por exemplo entre pais, filhos e o contrário.

As pessoas neste tipo de amor não metem o aspeto físico de uma pessoa no topo da sua lista, importam-se mais pela beleza interior das pessoas. Pessoas que já estão juntos à muito tempo, geralmente vêem o seu amor transformar-se em companheirismo. Basta olharmos para os nossos pais ou avós, que provavelmente vivem essa fase.

Pessoas deste tipo de amor tendem a: 

  • Estarem estáveis num relacionamento e serem pessoas em quem se pode confiar.
  • Não entram em dramas e não procuram constantemente euforia.
  • Têm um grau elevado de confiança no parceiro.
  • Vivem bem com a rotina e partilham-na com o parceiro sem problema.

6Agape, o amor de espírito

Chegamos agora ao tipo de amor mais radical segundo os gregos, conhecido como Agape. Já falei aqui no site de amor incondicional e este tipo de amor é basicamente isso. É um amor onde o foco está mais no que se dá, do que naquilo que se recebe. É um amor sem inveja, de entrega total e sem condições.

Você preocupa-se com a sua cara metade e a sua felicidade passa também pelo facto de ela estar bem. É não pensar apenas em si mas no próximo. É um amor maior que nós próprios, que não segue regras. É a forma mais pura de amar, livre de expetativas ou desejos. Amar, sem saber ou esperar aquilo que vem de seguida, aceitando-o apenas.

É o amor que aceita, perdoa e acredita para um bem maior.

Pessoas deste tipo de amor tendem a: 

  • Viver um amor incondicional por outra pessoa.
  • Ter um grau enorme de paixão pela outra pessoa.
  • Meter a outra pessoa acima deles próprios e preocupar-se com o seu bem estar.

7Mania, o amor obsessivo

O tipo de amor mania é aquele onde você seguramente não quer cair. Fala-se aqui de viver uma relação onde uma pessoa nela sofre de loucura e obsessão pela outra. Pessoas neste tipo de relacionamento são inseguras de si próprias, têm baixa auto-estima e então ama para se sentir amada e desejada.

Este tipo de relação é perigosa porque a pessoa torna-se bastante carente de atenção, é ciúmenta, necessitada e até maníaca de controle. É necessário saber distinguir amor de obsessão e essa confusão pode trazer os mais variados problemas.

Pessoas deste tipo de amor tendem a: 

  • Não distinguir amor de obsessão.
  • Serem possessivas e ciúmentas.
  • Criarem histórias e problemas onde estes não existem.
  • Magoarem-se facilmente.
  • Procurar validação e amor através dos relacionamentos.

8Philautia, o amor próprio

Para nos conseguirmos preocupar com os outros, primeiro temos de o fazer com nós próprios, e é isso que defende o tipo de amor Philautia. Aqui, quando se fala no nosso amor próprio, não é aquela ideia vaga de fama, poder e dinheiro, mas sim de compaixão pelo próximo, de podermos ser versões melhores de nós para ajudar o próximo.

Só quando estamos confortáveis na nossa pele, podemos ajudar o próximo. Você não pode partilhar aquilo que não tem. Se você não amar a si próprio não poderá amar mais ninguém. Trata-se de encontrar e sentir um amor incondicional por si próprio.

Pessoas deste tipo de amor tendem a: 

  • Confiar em si próprias.
  • Lutarem para ser um eu melhor.
  • Ajudarem os outros.
  • Preocuparem-se com os outros.

Esta era a forma como os gregos viam o amor e como o classificavam. Na atualidade as coisas podem ser vista de forma diferente e existem outras formas de classificar os vários tipos de amor.

Os diferentes tipos de amor na atualidade

Vários são os estudos que se têm feito ao longo dos anos para perceber o próprio amor. Concluiu-se que o amor é constituído ou formado, por três componentes: a intimidade, a paixão, e a decisão/compromisso.

 

A intimidade é o componente mais emocional, porque inclui a necessidade de estar próximo, a confiança no parceiro, a proteção, etc.. Com a paixão temos em conjunto o romance, a atracão física e a sexualidade. Por último, na decisão/compromisso falamos do momento em que tomamos a decisão de que amamos o outro, e de que aceitamos o compromisso de continuar juntos por um tempo indeterminado.

São as várias combinações possíveis destes três componentes, que nos mostram que existem vários tipos de amor diferentes.

Os tipos de amor:

Não existe amor: Não há Intimidade, nem Paixão, nem Decisão/Compromisso. Isto acontece com muitas das pessoas com quem falamos no dia-a-dia. É uma relação vazia, como se não tivesse conhecimento nenhum acerca da outra pessoa.

Amizade: Há Intimidade, mas não há Paixão, nem Decisão/Compromisso. Esta é uma relação de proximidade, compreensão, afetividade, bondade e apoio emocional. É a partilha entre duas pessoas que partilham várias coisas juntas.

Amor à primeira vista: Há Paixão, mas não há Intimidade, nem Decisão/Compromisso. Há uma grande atração física. Esta relação pode desaparecer tão rápido como apareceu, podendo em alguns casos durar mais tempo. (Amor à primeira vista será bom?)

Amor vazio: Há Decisão/Compromisso, mas não há Intimidade, nem Paixão. Este é o caso de muitas relações que embora duram à muito tempo, podem já não ter qualquer sentimento nelas e é também o caso de muitos casamentos onde já não existe amor.

Amor romântico: Há Intimidade e Paixão, mas não há Decisão/Compromisso. Existe atração física e apoio emocional, mas os amantes não decidiram que ficariam juntos por muito tempo ou nunca sequer pensaram nisso.

Amor conjugal: Há Intimidade e Decisão/Compromisso, mas não há Paixão. Muitas vezes ocorre nas amizades de longa data, em que a atração física já não existe, mas existe a decisão de continuar juntos.

Amor irrefletido ou tonto: Há Paixão e Decisão/Compromisso, mas não há Intimidade. São os casos em que é tomada a decisão de continuar juntos com base na paixão, mas em que não houve tempo de criar uma intimidade. Normalmente, não duram muito.

Amor consumado: Há Intimidade, Paixão e Decisão/Compromisso. É mais fácil de chegar aqui do que continuar assim. Normalmente, se há uma mudança num dos parceiros, e o outro não muda, a relação amorosa pode acabar. Se há uma mudança no outro, continua mas já não é na forma de amor consumado.

Amor platónico: É aquele amor onde se acredita existir tudo e não existe nada, muito menos amor, muito menos uma relação. É o acreditar num amor que nunca pode acontecer, por não ser fisicamente possível ou por ser muito complicado de alcançar.

Poliamor: É a capacidade de amar várias pessoas e de partilhar um relacionamento com várias pessoas, sendo que todas elas concordam com isso. Pode aprender mais sobre o assunto nos nossos artigos de poliamor.

Relacionamentos abertos: É uma constante procura por algo que bata certo e por algo que pode nunca acontecer. É não querer a parte do compromisso, apenas sentir paixão e deixar levar-se por ela. É o querer experimentar tudo e na verdade nunca ter nada. Confira o nosso artigo relacionamento aberto: expetativa vs realidade.

No fundo, o amor é uma história que cada um constrói com a ajuda do seu companheiro, pode ser desde um conto de fadas a uma história de terror. Vai mudando ao longo do tempo e às vezes até podemos adivinhar o futuro da relação que se está a construir, mas nunca podemos ter a certeza dele.

É aqui que reside o mistério do amor, num mundo onde o amor varia tanto e onde existem tantos tipos de amor, que podem ir desde o amor como o conhecemos até a variantes pouco conhecidas como o poliamor. Todas elas são válidas, basta que como pessoas que vivem no século 21 as consigamos compreender e respeitar.

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washingtonbinho
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washingtonbinho

vocês não aceitam a livre expressão!! nem o direito se expressar. só deixam ir ao ar o que vos interessa, já é uma grave falha, demostram que não são pessoas sinceras, porque convidam a livre expressão se não a aceita?? Desculpar-mi-ei se caso contrário ver o que postei às 11:20 aqui neste blog.

washingtonbinho
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washingtonbinho

Querem realmente saber a verdade sobre o amor?? Leiam isto!! O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. 1 Coríntios 13:4-7 Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. 1 João 4:8 Acima de tudo, porém, revistam-se do amor, que é o elo perfeito. Colossenses 3:14 O homem se soubesse buscar a Deus e… Read more »

Anónimo
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Anónimo

Gostei das explicações, pensei que soubesse o que era o amor, acho que estou engatinhando ainda sobre o tema, achava que o amor fosse um sentimento profundo que invade o coração sem pedir licença, instalado se aconchega e adormece não quer ir embora, se vai, deixa uma dor tão forte que pode transformar em solidão.