Poliamor: múltiplas relações em busca da felicidade

Amar mais que uma pessoa, numa união que tem como base o princípio da fidelidade, da honestidade e da harmonia – falo claramente e concretamente sobre Poliamor, um tipo de relação que quebra as regras de amor que todos conhecemos. 

Não se trata de uma necessidade, de uma vontade ou simples desejo. Uma relação segundo os termos do Poliamor é regida essencialmente por toda uma questão emocional e afetiva, daí fazer sentido a palavra amor neste conceito.

Seja numa relação com dois, três ou mais pessoas é imprescindível a fidelidade, a segurança e a estabilidade. Há um complemento de amor, uma conjugação perfeita entre os indivíduos, sem lugar a ciúmes, obsessões, complexos e preconceitos. Não há géneros definidos dentro das relações nem procura de novos elementos pois como em todos os outros casais tem efectivamente que haver sentimentos. Também não é apenas sexo, alias, não é necessário haver sexo neste tipo de prática.

poliamor

O Poliamor passa também por uma questão de liberdade para ser feliz e, numa perspectiva mais pessoal, passa também por uma procura incessante da perfeição e da estabilidade que por vezes não se consegue encontrar numa pessoa apenas. Como não praticante do Poliamor, questiono-me sobre factos que qualquer pessoa que não siga esse modelo de relação provavelmente se questionará também.

É evidente que é necessária uma abertura mental, uma compreensão e uma aceitação e interpretação de vários sentimentos que considero serem comuns a qualquer ser humano, embora vistos de diferentes perspectivas. O facto é que para um praticante do Poliamor é normal e natural amar várias pessoas simultaneamente, assim como relacionar-se com mais que uma pessoa, com o conhecimento e consentimento de cada membro da relação. Não há o sentimento de posse e controlo. Contudo não há também o sentimento de exclusividade e a intimidade está comprometida.

Para a compreensão do conceito de Poliamor é necessária uma distinção relativamente a outras práticas e circunstâncias que interferem e deturpam os ideais deste modo de relacionamento:

  • Relação Aberta – Numa relação aberta (geralmente monogâmica) há a possibilidade de haver outros relacionamentos para além da relação em causa. Contudo o conceito de relação aberta não pressupõe uma aceitação e abertura relativamente ao assunto, há a possibilidade de não conhecimento das situações fora da relação. Uma relação aberta pode envolver questões meramente sexuais, o que segundo os princípios do Poliamor é rejeitado. Todas as relações dentro desta prática implicam afectividade e fidelidade.
  • Swing – O swing é uma prática sexual entre dois casais onde há a possibilidade de todos os elementos do grupo trocarem experiências entre si. De facto pode ser uma prática contida dentro do conceito de Poliamor, distinguindo-se apenas na questão emocional, distanciando-se da exclusividade do prazer carnal. O swing é possível entre relações de poliamor, contudo pressupõe toda uma base sentimental, emocional e afetiva.
  • Confusões entre sentimentos - Os adeptos do Poliamor excluem a ideia de que os seus sentimentos não são bem fundamentados ou bem conseguidos. Entre os praticantes existe harmonia e definição de cada sentimento por cada indivíduo na relação, não revelando qualquer desequilíbrio nesse sentido. Para os defensores, amar é natural, não é exclusivo nem fechado. Existem várias formas de amar sim, mas há de facto possibilidade de conjugar o amor e haver felicidade deste modo.

O Poliamor é um conceito contemporâneo contudo a sua prática não é recente, os seus ideais são postos em prática desde que o ser humano teve capacidade de se relacionar. A afetividade é inerente ao ser humano e cada pessoa tem a capacidade de amar, seja de que maneira for. Esta é apenas uma delas. Conheça o site oficial sobre poliamor.

Artigo escrito por Patrícia Gargaté, estudante na área de jornalismo e colaboradora do Sentimento Calmo.

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Comentários: 17

  1. Pedro November 19, 2011 at 8:04 pm Comentar

    Um artigo fantástico! Muito bem estruturado e fácil de compreender! 

    Já tinha ouvido antes falar deste assunto e sempre tive interesse em conhecer melhor, este artigo está bastante explicativo e agradeço por isso!

    Sempre a melhorar este site! 

  2. Hermann November 27, 2011 at 1:43 pm Comentar

    Post muito interessante. O filme Vicky Cristina Barcelona aborda esse tema de forma memorável. Parabéns pelo blog!

    • Vigilante November 27, 2011 at 2:01 pm Comentar

      Obrigado amigo, fico contente que tenha gostado :)

  3. bia November 27, 2011 at 4:14 pm Comentar

    Se tu te interessa por esse assunto,conheça a rede de relações livres de POA. São pioneiros nesse assunto e é onde o movimento está mais organizado.
    http://rederelacoeslivres.wordpress.com/ 

    • Vigilante November 27, 2011 at 4:24 pm Comentar

      Obrigado amiga pela dica, concerteza irei visitar, embora defenda as relações mono.

  4. Nina November 27, 2011 at 5:26 pm Comentar

    Eu e meu namorado somos bi e mantemos uma relação aberta para nos relacionarmos com pessoas do msmo sexo… acho isso maravilhoso, poder ter um namorado e uma namorada e ele a msma coisa. A idéia é que todos se relacionem (não fisicamente, mas q todos se conheçam) e possam trocar experiências, acrescentar um na vida da outra e aprender um c  outro. Claro q isso td só é possível qd todos estão na msma sintonia, querendo um bem maior além do seu próprio umbigo (o individual), que seria todos convierem harmonicamente e pacificamente, na base do respeito, do carinho e amor!!!

    • Vigilante November 27, 2011 at 11:58 pm Comentar

      Se bem que este caso de poliamor não esteja totalmente dentro da ideia que transmitiu, mas a ideia de se trocar experiência em que ambos têm conhecimento e numa base de respeito é uma ideia comum. 

  5. Kedma Lage February 24, 2012 at 6:42 pm Comentar

    Não sou evoluída para este tipo de relação. Pelo menos nessa vida ! Quem sabe em uma próxima !!

  6. Hilma Mainart February 24, 2012 at 7:13 pm Comentar

    Concordo com a Kedma.

  7. Hilma Mainart February 24, 2012 at 7:13 pm Comentar

    Concordo com a Kedma.

  8. Angela Camoezi February 24, 2012 at 8:18 pm Comentar

    isso não dá pra mim, sou totalmente monogâmica, possessiva e exclusivista, não dá pra ninguém tocar no que é meu, sem preconceitos, tudo bem pra quem consegue, to fora!!!

  9. Leonicia Batista Rocha February 24, 2012 at 9:16 pm Comentar

    nao daria certo comigo , nao divido o que `e meu ! egoismo ? nao , quero ter e ser unica !

  10. Sentimento Calmo February 24, 2012 at 11:55 pm Comentar

    Acho que nem numa próxima vida conseguiria.

  11. Núbia Izidio May 2, 2012 at 12:18 pm Comentar

    não conseguiria suporta tal relação, isso nunca iria permitir e nem deixar acontecer.Eu gosto muito de exclusividade e não tenho sangue de barata, souuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu muito possessiva.

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