Ensaio sobre o amor

Vejamos um espaço vazio. Sem absolutamente nenhum objecto. Imagine a cor que lhe surgir na mente. Não a escolho eu,  pois cada um tem o seu pensamento, o seu estado emocional e personalidade. Vou explicar o que acontece numa relação amorosa em quatro ensaios. Isto porque para muitos o amor é apenas um sentimento, que não se vê, mas os seus efeitos podem ser tomados como uma experiência laboratorial.

No espaço vazio que imaginou, inclua quatro garrafas vazias e um relógio. O ponteiro está parado. Ao meu sinal. O ponteiro começa a fazer o “tic tac”, segundo a segundo… as garrafas começam a encher.

Observações

A garrafa 1 enche normalmente, com água límpida. A partir de um certo momento, o nível da água não sobe mais. E alguém tapa a garrafa. A água não evapora, nem congela, fica igual e constante.

A garrafa 2, também recebe a água. No entanto a pessoa, ou o objecto, ou o Algo que a enche, é cego, insiste em querer encher uma garrafa que não tem fundo. A água sai enquanto se enche, e o tempo parece desperdiçado.

A garrafa 3, começa a encher. No entanto, apesar de a água ser sempre corrente, o nível é sempre baixo. Isto porque muita da água sai, discretamente, por um furo lateral da garrafa.

ensaio sobre o amor

A garrafa 4, parece-se com a primeira. Ocorre exactamente o mesmo, excepto o facto de não ser tapada quando a água deixa de correr. Um liquido escuro começa a cair, gota a gota, para a garrafa, e a água vai-se tornando numa mistura, muito mais suja.

Conclusões

Garrafa 1- Relação estável – Tal como a garrafa, o amor vai crescendo até à altura suficiente, e a relação é estável. Existe compreensão e dedicação de ambos os membros do casal. Ambos cuidam cuidadosamente do seu espaço, do seu mundo amoroso. Fecham a garrafa, ou seja não permitem a entrada de mais ninguém. No entanto, apesar do gosto pela pessoa subir gradualmente (água), chega apenas a um certo nível, e não enche completamente a garrafa, deixando O Espaço: liberdade e confiança.

Garrafa 2- Relação falsa / Traição – A garrafa não tem fundo, e alguém insiste em continuar a lutar por enchê-la. Existe uma mentira que não deixa que o amor que se sente pela pessoa seja verdadeiro. Não há garantias de que por debaixo dessa garrafa, a água que corre não esteja a encher outra. Estamos num espaço vazio, mas não fechado. O maior cego é aquele que não quer ver.

Garrafa 3- Relação impossível – Mostra a luta de alguém por outro, que tenta encher a garrafa, insiste, prova que gosta verdadeiramente, mas o furo impede que a relação suba para outro nível. Como por exemplo, entre amigos, quando alguém começa a gostar do outro de uma maneira mais especial, e tem dificuldade em perceber que o/a amiga não quer subir para esse nível. E a luta parece em vão. Mas atenção, parece, pois apesar de a água se manter no mesmo nível, garante a amizade e reforça o que sentem um pelo outro.

Garrafa 4- Relação descomprometida – Como se observou, a garrafa não foi tapada. Apesar de até uma certa altura a relação parecer estável, por vezes pode surgir O/A Outro/Outra. Um dos membros do casal começa a ser invadido pelo sentimento do ciúme, pois alguém, ainda que não pareça prejudicial, entra no mundo do casal e influencia a relação, ou esta deixa-se influenciar. Entre marido e mulher, ninguém mete a colher.

Artigo escrito por Clara Godinho, colaboradora do Sentimento Calmo.

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Programa Afiliados
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Programa Afiliados

Essa de não meter a colher é velha (rs) mas valeu por relembrar!

Sentimento Calmo
Visitante

Ainda bem que gostou amiga 🙂

MARCELA
Visitante

Mto interessante. Gostei. Abraço.