Eu sou descrente em apostar novamente no mesmo relacionamento. Claro que isso não é impossível, mas acho improvável o recomeço entre casais. Propostas, esperanças e expectativas – o novo dentro do velho. Acredito sim em apostar numa nova relação.
Defendo a busca incansável pela felicidade. Acredito, e muito, que as pessoas mudam, e quando essas não mudam temos a chance de mudar a forma como as enxergamos. Tudo na vida é uma questão de perspectiva. Casais que não deram certo podem e devem ter dar a chance de um novo começo, só que com outros pares, pois por mais que alguém se transforme, a essência permanece. Hábitos modificam. Essência não. Se hipoteticamente ocorresse uma transformação de 360º, mais que o suficiente para fazer com que a relação, a partir de então, desse certo, seria possível queimar na fogueira as lembranças, as mágoas, o receio dos “repetecos”?

Ocorre que mesmo que as pessoas se transformem, os fatos que elas protagonizaram são atos já consumados. Precisam ser aceitos, relevados e… Principalmente, esquecidos. Mas o coração que tem memória de elefante fica “gritando” que está ali, vivo quando deveria estar quieto… E sente dor e quase pula fora do peito quando as lembranças ruins do que aconteceu voltam sem pedir licença. Quando o parceiro é outro, tudo isso pode acontecer também, aliás, um dia sempre acontece, a diferença é que quando você olha para o lado, vai estar de mãos dadas com a esperança de algo novo e diferente, e não com aquele passado que mesmo querendo ser um novo presente está carregado de lembranças.
O risco é muito alto. Construir é diferente de consertar. Reconstruir só se for a si mesmo. Certezas não existem, mas existem caminhos mais prováveis, os caminhos que conduzem a um novo amor e em você a apostar numa nova relação.
Artigo escrito por Marcela Gonçalves, escritora no Sentimento Calmo. Brasileira, 43 anos, mãe de três filhos.
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